Nóis é Jeca mais Nóis é Jóia
Quando se pensa em “blogs”, “twitter”, “novas mídias”, e todas estas tecnologias e termos que estão em evidência atualmente, logo vem à cabeça o eixo Rio-São Paulo. Lá estão os maiores blogueiros da atualidade, e a maioria dos grandes eventos relacionados a esse meio acontecem por lá. Quase sem querer, cria-se uma “panelinha” entre os blogs brasileiros, e o velho refrão: “Quem está fora quem entrar, mas quem tá dentro não sai” vira um lema.
O interior – e aqui me refiro ao interior de São Paulo – acaba sendo uma região “periférica”. Possui participantes ativos na internet brasileira, mas sua força ainda é inexpressiva se comparada aos grandes centros. Por isso, iniciativas como o Blogs do Interior são importantes e devem ser divulgadas de todas as maneiras possíveis.
O Blogs do Interior visa listar todos os blogs ativos do interior de São Paulo. Para os leitores, é uma maneira mais fácil de encontrar blogs interessantes que, em uma busca normal, ficariam ofuscados pelos grandes blogs. Para os blogueiros, é uma ótima ferramenta de divulgação e de integração com blogs vizinhos e/ou conterrâneos.
Eu tive a honra – ou rapidez? – de ter sido o primeiro blog de Mogi Mirim listado pelo Blogs do Interior. Isso foi um enorme incentivo para me aventurar de vez nesse mundão véio sem portêra que é a internet e toda essa parafernália divertida e viciante que são os blogs, os twitters e as redes sociais.
Espero que, assim como eu, muitos blogueiros do interior de São Paulo saiam de trás da moita e mostrem seus textos e talentos ao mundo. Não para roubarmos a cena dos grandes centros, porque isto é impossível; mas para conquistarmos definitivamente nosso espaço ao sol e mostrarmos que o interior não é só feito de rodeios e música sertaneja.
Filed under: Dicas | Leave a Comment
Tags: blogs, blogs do interior
Telemarketing do Futuro
- Alô?
- Por favor, o Sr. Roberto se encontra?
- Sim, é ele. Quem deseja?
- Olá Sr. Roberto! Nós somos da C.A.D. – Companhia de Assaltos à Domicílio -, e estamos ligando para avisá-lo que, em parceria com as seguradoras da cidade, fizemos uma promoção, e o senhor foi sorteado! Meus parabéns!
- Err… Obrigado.(?)
- Então, como o senhor foi o sortudo da vez, gostaríamos de saber o horário que o senhor prefere estar sendo assaltado. O senhor prefere de manhã, tarde ou noite?
- Bem… Não sei…
- Esta é a primeira vez que o senhor estará sendo assaltado?
- Sim…
- Meus parabéns novamente! O senhor está tendo o privilégio de ser escolhido pela melhor e mais confiável companhia de assaltos da região! Nossos ladr… digo, profissionais são altamente capacitados, capazes de realizar um assalto de maneira rápida e segura, sem deixar um rastro sequer. Todos nossos assaltantes passaram por um rigoroso processo de seleção, e, após selecionados, foram enviados às melhores favelas do Rio de Janeiro para treinamento. Nossa companhia está devidamente registrada em todos os orgãos de controle do crime: sejam do submundo ou do governo. Portanto, não confie em qualquer companhia de assaltos que aparecer: apenas a C.A.D – Companhia de Assaltos A Domicílio – pode realizar um assalto seguro e confiável. E não é só isso!
- Não?!
- Não! Como este estará sendo o primeiro assalto à sua residência, nós estaremos lhe dando um brinde especial de primeiro assalto, interamente grátis, e sem qualquer custo adicional! A C.A.D é a única companhia de assaltos da região que se preocupa com suas vítim… digo, seus clientes! O senhor estará tendo a oportunidade de escolher, além da forma que será assaltado, a arma – isso mesmo, a ARMA! – que o assaltan… digo, nosso funcionário usará no momento da abordagem! E não é só isso! O senhor também estará ganhando a arma de presente! Não é sensacional!?
- Err…
- Então Sr. Roberto, falta o Sr. escolher a hora e a maneira do assalto. Podemos ajudá-lo neste quesito. Por exemplo, o senhor pode querer ser assaltado enquanto estiver fora de casa, o que facilitará muito o nosso trabalho. Mas o senhor pode ser uma pessoa que gosta de emoções fortes, e pode querer estar presente quando nossos assaltantes agirem. Mas essa opção não é recomendada para quem tem problemas cardíacos ou renais.
- Mas eu não sei se quero mesmo…
- O senhor não tem outra opção. Se o senhor preferir não estar escolhendo o horário, nossos assaltantes aparecerão aí de surpresa, a qualquer hora do dia. E isto – serei sincera com o senhor – nem sempre é muito agradável…
- Hmm…
- Então o senhor gosta mesmo de emoções fortes, e prefere que nossos assaltantes apareçam de surpresa? Ótima escolha! Mas lembre-se: nós não nos responsabilizamos pela sua saúde em caso de pânico, ataque cardíaco, urinar nas calças, ou qualquer outro problema do gênero. Muito obrigado pela sua colaboração e preferência! E lembre-se: não confie em outras companhias de assalto que aparecerem. Apenas nossos assaltantes agem devidamente uniformizados. Tenha um ótimo dia!
- Mas…
- Ah, eu já ia me esquecendo. Não adianta chamar a polícia civil, militar, federal, SWAT, FBI, KGB, o Papa… Nossa companhia compra… digo, tem acordos com todas as polícias que você possa imaginar, e NENHUMA delas irá interferir em nossos serviços. E o mais importante: não tente nenhum tipo de reação contra nossos assaltantes. Como já lhe disse, eles são altamente treinados para agirem em situações como essa. Agradecemos sua paciência, e tenha um bom dia!
(Tu, tu, tu…)
- Pelo menos ela tinha uma voz bonita…
Filed under: Textos | Leave a Comment
Tags: telemarketing
Coisas que me irritam
Sabe o que me irrita?
Pessoas que colocam “Dormindo” no status do MSN Messenger.
A partir do momento que alguém se conecta a um “mensageiro instantâneo”, automaticamente subtentende-se que esta pessoa está lá para CONVERSAR. Quando alguém altera o status para “Dormindo” e literalmente vai dormir, está ferindo o código de conduta dos programas de bate-papo virtual! É praticamente uma quebra de contrato. Ninguém vai a igreja para rezar e na hora da oração pede licensa ao padre e “puxa um ronco” ali mesmo. A oração é a parte mais importante da missa! Se quisesse dormir, ficasse em casa. Se não quer conversar, não entre no MSN!
Isso vale, principalmente, para aquelas pessoas que conectam no MSN Messenger – ou em qualquer outro mensageiro – e colocam a mensagem: “NÃO QUERO CONVERSAR”, ou uma de suas dezenas de variações. O MSN Messenger é um programa de B-A-T-E P-A-P-O, ou seja, de socialização, ou seja, de conversa mesmo. Aí você, um cara legal, simpático, bom de papo, que até gosta da pessoa que conectou e está afim de falar sobre a vida, o universo e tudo mais, é praticamente excomungado após mandar um singelo “Oi” para o anti-social, como se isso fosse um pecado capital.
Ainda têm aqueles que exageram. Deixam bem explícito no subnick que “não estão bem e não querem conversar”. Isso é praticamente um “OI GENTE, Q TC?????///”. Se não está se sentindo bem de verdade, procure um médico ou um psicólogo. Se não quer conversar, é simples: altere o status para “Dormindo” e vá dormir.
Mas isso me irrita…
Filed under: Coisas que me irritam | 4 Comments
Tags: messenger, msn, pescaria
O caminho de volta ao pátio da ETC não era tão comprido, mas o silêncio tenso que se apoderara de todo o ambiente fazia com que a caminhada parecesse interminável. Rodrigo caminhava com o olhar fixo no horizonte, pensando seriamente na infinidade de perigos que os aguardavam a partir daquele instante. Diego dava passos rápidos e curtos, demonstrando sua ansiedade pela aventura que estava por vir. Já Filipe, o terceiro cavaleiro, só conseguia pensar no que comeria ao chegar na cantina da Escola.
O atalho tomado pelos cavaleiros após sairem da beira do lago era tão assustador quanto a situação: a mata fechava-se por todos os lados, ficando cada vez mais densa conforme os três se embrenhavam por ela. Após alguns minutos de caminhada, os três jovens guerreiros se encontravam em um ponto tão denso da floresta que os raios do sol já não os alcançavam, dificultando a visão. Todos estavam acostumados a passar por ali e não se assustavam ou se perdiam naquela trilha, mas, naquele fatídico dia, havia algo diferente no ar. O primeiro a perceber o perigo foi Filipe, o menos preocupado dos três cavaleiros.
- Vocês ouviram isso?
Diego parou. Rodrigo fez o mesmo.
- O quê?, questionou Rodrigo.
- Não sei. Tive a impressão de ter ouvido algum ruído estranho vindo desse arbusto perto de você, Diego – respondeu Filipe apontando ao local.
- Deve ser o ronco da sua barriga. Você vive com fome.
- Mas eu acho que a barriga do Filipe, apesar de ser poderosa, não consegue movimentar um arbusto desse tamanho como está acontecendo agora.
Rapidamente Diego virou-se na direção do arbusto; porém, o tempo não fora suficiente para identificar o que havia saltado sobre ele. O ataque do que quer que seja que estava escondido atrás das folhas foi tão rápido que, quando Diego deu por si, estava caído tentando se defender das garras afiadas que tentavam arrancar seu pescoço com um só golpe. Um grito de dor ecôou por toda floresta quando uma das garras atingiu o seu braço esquerdo que protegia o seu rosto dos ataques da fera.
Rodrigo estava de espada em punhos pronto para atacar o monstro que ferira seu amigo quando algo muito pesado o atingiu em cheio no peito, atirando-o com violência contra um grande tronco de árvore que estava logo atrás. O impacto fez com que caíssem várias frutas grandes, das quais uma delas atingiu o terceiro monstro que havia acabado desferir um golpe fortíssimo contra a perna direita de Filipe. O golpe resvalou na canela do terceiro cavaleiro, que conseguiu se esquivar graças ao barulho da fruta que atingira a cabeça do monstro. De espada embanhada, mas com extrema dificuldade para enxergar, Filipe atacou-o, aproveitando que estava inconsciente, fincando a espada em seu peito. Enquanto isso, Rodrigo já havia se levantado e partido para o ataque contra o monstro que o atingira. Estava escuro; apenas alguns poucos e corajosos raios solares atravessavam a densa mata que cobria aquela área da floresta, ajudando conforme era possível a visão dos cavaleiros.
O monstro era pequeno e ágil: no primeiro embate, Rodrigo conseguiu identificar apenas algumas partes do seu corpo. Seus braços eram mais compridos que o tronco, porém musculosos e com cinco garras enormes e afiadas em cada membro. As pernas eram curtas, o que fazia com que o monstro se movimentasse curvado. O som dos braços se arrastando pelas folhas secas que cobriam o chão era o único indício dos movimentos da fera, e era por ele que Rodrigo se orientava na batalha.
Diego lutava como podia contra a fera que ainda estava sobre si. Um segundo grito, agora mais agudo, ecoou pela floresta. Filipe percebeu que viera do seu amigo e correu em sua direção para ajudá-lo. Com um golpe certeiro, arrancou a cabeça do monstro que atacava Diego.
- Você está bem?
- Já estive melhor…
- Você está muito ferido! Vou ajudar o Rodrigo e já volto para te buscar, manja. Não saia daí!
- Como se eu pudesse…
A batalha entre Rodrigo e a fera tornava-se cada vez mais feroz. Rodrigo era o mais experiente dos três e demonstrava toda sua habilidade no combate contra o monstro desconhecido, mas a agilidade da criatura somada à força incrível com que desferia seus golpes minavam sua resistência.
Após alcançar o campo de batalha, Filipe atacou o monstro por trás, que conseguiu se esquivar com um salto fora do comum. Um pequeno feixe de luz iluminou o semblante do monstro no exato momento em que ele contra-atacava Rodrigo, que, aproveitando o raro momento de visão perfeita, desferiu um golpe preciso contra sua cabeça, dando fim ao combate.
Cansados, sujos e ensangüentados, Rodrigo e Filipe correram em socorro a Diego, que se arrastara até o tronco de uma árvore e se apoiara nela. Quando o alcançaram, viram que ele comia uma das frutas que estava no chão.
- Até que isso é bom, viu…
- Cara, você tá bem?!, perguntou Filipe.
- Eu disse que já estive melhor. Foram apenas alguns arranhões…
- Arranhões?! Dá pra passar um rio no corte do seu braço esquerdo! A gente tem que ir para a escola AGORA! A curandeira de lá, a Dona Carmem, entende muito de magia, manja. Dizem até que já estudou em Hogwarts… Ela vai curar esse ferimento rapidinho e nem vai deixar cicatriz.
Com uma certa dificuldade, os dois cavaleiros conseguiram levantar seu colega, colocá-lo sobre os ombros e iniciar a caminhada de volta a ETC.
- O que será que era aquilo que nos atacou?, perguntou Filipe.
- Não sei, mas é desnecessário dizer que tem algo a ver com o sumisso do Rei Magalhães, né?, respondeu Rodrigo, exasperado.
Filed under: As Crônicas do Industrial | 2 Comments
Tags: cronicas, ete
Capítulo I – Decisão
O silêncio fúnebre que se apoderou de todo o ambiente após a notícia do Cavaleiro Amarelo foi quebrado pelo comentário indignado de Diego.
- Por que nós temos que fazer alguma coisa para salvar o Rei? Se ele sumiu, o problema é dele! A Cavalaria Real que cuide desse caso!
- Nós fazemos parte da Cavalaria Real, meu querido – interpelou Rodrigo.
- Mas ainda estamos em treinamento, manja. – justificou Filipe.
- Eu sei – Rodrigo continou – mas vocês prestaram atenção no que o nosso querido coleguinha Gustavo disse antes de partir rebolando?
- “Não”, responderam, em coro, os outros dois cavaleiros.
Rodrigo coçou a cabeça e suspirou: “Como eu imaginava…”
- Será que eu tenho que explicar tudo para vocês, ó nobres colegas cavaleiros?! Nós somos os HERÓIS dessa história! Temos a obrigação de salvar o Rei de seja lá o que for que aconteceu com ele. Se não o salvarmos, alguém salvará, e perderemos todo o crédito com as donzelinhas do reino.
Diego e Filipe pararam para refletir sobre este argumento. Parecia ser interessante e válido e, coçando o queixo, Diego respondeu:
- Desde quando temos algum crédito com alguma donzela do reino?
Irritado, Rodrigo girou sobre os calcanhares e partiu decidido em direção ao pátio da Escola Técnica de Cavaleiros. Diego olhou intrigado para Filipe, que deu de ombros e seguiu Rodrigo. Vendo seus dois nobres colegas partirem em direção ao iminente perigo que os aguardava, Diego, mais uma vez, coçou o queixo com sua mão direita, afagando o fino e quase invisível cavanhaque que mantinha com muito cuidado, e pensou:
- Isso vai dar merda.
E #partiu.
Um tímido raio de sol refletiu-se nas águas tranqüilas do lago Lago, atingindo em cheio o olho de um cavalo que adormecia próximo. Este, sem se perturbar com o incidente, virou-se para o outro lado e continuou a dormir tranqüilamente.
Filed under: As Crônicas do Industrial | 2 Comments
Tags: cronicas, ete
Era uma tarde linda e ensolarada de domingo. Pássaros voavam alegremente sob o azul intenso do céu, enquanto cavalos descansavam tranqüilamente em seus cochos, sem reparar no belo reflexo formado pelos raios solares nas águas serenas do lago Lago. Deitados a beira do mesmo, observando o movimento suave das árvores que, ao serem tocadas pela brisa leve e fresca daquela tarde agradável, pareciam dançar sob uma doce melodia que somente elas ouviam, estavam três jovens cavaleiros. Para eles, este era um merecido descanso após mais um dia de treinamentos árduos na ETC – Escola Técnica de Cavaleiros: a primeira escola formadora de cavaleiros de todo o Reino do Industrial.
Enquanto um deles cochilava, os outros conversavam.
- Gostou do treinamento de hoje?
- Foi sussa.
- Também achei. Mas, sei lá… Às vezes tenho a impressão de que não consigo aprender corretamente as técnicas…
- Manja, você é um dos melhores cavaleiros da escola nas matérias atléticas e humanas! Tá certo que você derrapa um pouco nas exatas… mas o resto compensa.
- Eu sei… Mas, sei lá, véi. Eu sequer consigo me decidir entre qual espada usar em um combate com um ogro de 2 metros…
- Isso é o de menos, manja. Eu também sou um fodido. Quase sempre me fodo nas matérias atléticas por causa da minha saúde, que é uma bosta. Mas a vida é assim, manja.
- Posso fazer uma observação?
- Claro.
- Não seria melhor se tivesse os nossos nomes no lugar do travessão? Suspeito que seria mais fácil do leitor nos identificar. :P
- Boa idéia. :P
Diego: Ah, agora melhorou. :P
Filipe: Só. :P
Rodrigo, o terceiro cavaleiro, despertou assustado do seu cochilo profundo, assustando seus colegas.
Diego: Que foi?!
Rodrigo: Amiguinhos, tive um sonho horrível…
Filipe: Sonho?
Rodrigo: Sim, meu caro coleguinha. Sabe aquilo que vemos quando estamos dormindo…
Filipe: Eu sei o que é, cacete! Quero saber que tipo de sonho.
Rodrigo: Sonhei que um dos nossos coleguinhas de turma viria correndo, neste exato momento, nos avisar sobre uma catástrofe que está para acontecer em nosso querido reino…
Diego: Mas qual colega?
Rodrigo: Aquele feliz e saltitante, todo de amarelo, que está correndo em nossa direção neste exato momento.
Estupefatos, Diego e Filipe olharam para a direção apontada por Rodrigo, avistando um cavaleiro franzino, de estatura média, vestindo uma reluzente e ofuscante armadura amarela. Ele corria desesperadamente na direção dos três cavaleiros gritando seus nomes:
- DIEGORODRIGOFILIPE!!!!!!!!! DIEGORODRIGOFILIPE!!!!!!!!! DIEGORODRIGOFILIPE!!!!!!!!!DIEGORODRIGOFILIPE!!!!!!!!!
Após alcançá-los, Diego, Rodrigo e Filipe tiveram de esperar por aproximadamente 5 minutos para o cavaleiro amarelo recuperar o fôlego e finalmente revelar o motivo de tanto desespero.
Rodrigo: O que houve, meu caro Gustavo?
Gustavo: Fodeu, galega!
Filipe: Conta logo o que aconteceu, manja!
Diego: Peraí. Antes de contar, repita comigo: “Cabaré”.
Respirando fundo, Gustavo repetiu: “Gabagué”.
Diego: Agora diga: “Trezentos e Trinta e Três”
Após mais uma respiração profunda, Gustavo, impaciente, repetiu: “Tguezentos e Tguinta e Tguês”.
Diego: Agora pode contar. :P
Gustavo: Eu não gosto disso, viu? Mas o negócio é séguio! O Rei Magalhães sumiu!
A expressão de espanto foi a mesma nos rostos dos três cavaleiros. Como era possível um rei sumir assim, do nada, dentro do seu próprio reino?
Diego: Como é possível um rei sumir assim, do nada, dentro do seu próprio reino?
Filipe: Você não perde a mania de plagiar o narrador. :P
Diego: Talvez porque o narrador e eu somos a mesma pessoa. :P
Rodrigo: Amigos, amigos… O problema apresentado pelo nosso colega amarelo é realmente grave e necessita de total atenção. Por favor, nobre colega Gustavo, repita comigo: “Sorocaba”.
Gustavo: Ah, vão se foder! Já dei o recado. Vocês são os hegóis da históguia, se viguem!
Dito isto, Gustavo, o cavaleigo amaguelo de língua pguesa, girou sobre os calcanhares e partiu com ar de missão cumprida. Sem saber o que dizer, os três cavaleiros mergulharam em um silêncio tão profundo que pareceu dominar todo o ambiente ao redor: os passáros haviam desaparecido em algum canto distante do céu; os cavalos continuavam a dormir e sequer perceberam que o belo reflexo nas águas do lago Lago também havia desaparecido. Até o sol, que antes brilhava imponente no céu límpido e azul, pediu ajuda para algumas nuvens e imediatamente se escondeu atrás delas, parecendo conhecer o futuro negro que aguardava nossos três heróis a partir daquele instante…
Filed under: As Crônicas do Industrial | 4 Comments
Tags: cronicas, ete
Depoimento
Começou como uma brincadeira com os amigos do Ensino Médio. Um amigo de um primo de um amigo de um dos meus colegas tinha ouvido falar que era legal e tinha até experimentado. Garantiu que era bom e todo aquele velho papo para nos convencer. Como dizem: “Era conversa para boi dormir”. Eu dormi. Ou pior, acreditei.
Experimentei pela primeira vez. Foi uma sensação que até hoje não consigo descrever. Senti coisas diferentes que nunca tinha sentido antes ou imaginava que um dia sentiria. Me senti bem fazendo aquilo e aquilo me fazia bem. Fui o primeiro a experimentar e acabei incentivando meus amigos a começarem também. Em pouco tempo todos estavam se viciando – e era meio que minha culpa.
A consciência pesada não foi suficente para me libertar. Aquilo foi consumindo minha vida. Eu gostava de sair, dançar, namorar, jogar bola… Fui abandonando todos os meus hobbys para me dedicar somente ao meu vício. Eu precisava!, parecia que sem aquilo minha vida acabaria. O vício me dominava cada vez mais sem eu perceber. Ou fingia que não percebia só para continuar buscando aquele prazer que se tornava cada vez mais raro. Quanto mais eu usava, quanto mais eu fazia, mais difícil era obter aquela sensação maravilhosa. Mas eu queria, e ficava desesperado, procurava mais, mais e mais, em uma busca que parecia nunca ter fim.
Meus amigos mais próximos conseguiram se afastar. Largaram o vício. Talvez por verem a situação em que eu me encontrava perceberam o erro que cometeram, se recuperaram e decidiram me ajudar. Tentaram de tudo: conversas, atividades diferentes, remédios, e até internações. Nada dava certo.
Até que um dia, assim bem de repente, como se uma força do além tivesse agido em meu favor para me libertar, o Blogger deletou minha conta. Eu não podia mais escrever. Não podia mais postar. Meu blog estava fechado, encerrado, perdido para todo o sempre. Após muito despero, eu percebi o milagre que havia acontecido: finalmente deixara de ser um blogueiro e voltara a ser uma pessoa normal.
Mas aí eu encontrei o WordPress. Resisti o quanto pude, mas foi em vão. Tive uma grande recaída e agora estou aqui, escrevendo, editando, postando… enfim: voltei a ser um blogueiro.
Blog é um caminho sem volta.
Filed under: humor | Leave a Comment
Tags: blog, humor
Entradas recentes
Categorias
- As Crônicas do Industrial (3)
- Coisas que me irritam (1)
- Dicas (1)
- humor (1)
- Textos (1)
